onde encontrou Tyrion Lannister
terminando sua refeição. Agarrou o homenzinho
pelos sovacos, ergueu-o no ar e rodopiou com ele nos
braços. - Bran vai viver! - berrou. Lannister pareceu
alarmado. Jon o colocou no chão e pôs-lhe o papel
nas mãos. - Está aqui, leia - disse.
Outros se juntavam e olhavam para ele com
curiosidade. Jon jreparou em Grenn a poucos
centímetros. Trazia uma atadura grossa de lã
enrolada na mão. Parecia ansioso e desconfortável,
nada ameaçador. Jon foi falar com ele. Grenn recuou
e ergueu as mãos.
- Fica longe de mim, bastardo.
Jon sorriu para ele.
- Desculpe pelo pulso. Robb usou comigo o mesmo
movimento uma vez, mas com uma lâmina de
madeira. Doeu como os sete infernos, mas o seu deve
ser pior. Olha, se quiser, posso lhe mostrar como se
defender dele.
Alliser Thorne o ouviu.
- Lorde Snow quer agora ocupar meu lugar - fez um
sorriso de escárnio. - Mais facilmente ensinaria eu
um lobo a fazer malabarismos do que você treinaria
este auroque.
- Aceito a aposta, Sor Alliser - disse Jon. - Adoraria
ver o Fantasma fazer malabarismos. Jon ouviu
Grenn prender a respiração, chocado. E o silêncio se
fez.
Então, Tyrion Lannister soltou uma gargalhada.
Três dos irmãos negros juntaram-se a ele numa mesa
próxima. O riso espalhou-se pelos bancos, até que
mesmo os cozinheiros riam. Os pássaros agitaram-se
nas traves e, finalmente, até de Grenn saiu um
risinho.
Sor Alliser não tirou os olhos de Jon. Enquanto as
gargalhadas ressoavam à sua volta, seu rosto
escureceu e a mão da espada fechou-se num punho.
- Isso foi um enorme erro, Lorde Snow - disse, por
fim, no tom ácido de um inimigo.

Eddard

Eddard Stark entrou a cavalo pelas grandes portas
de bronze da Fortaleza Vermelha, dolorido, cansado,
faminto e irritado. Ainda estava montado, sonhando
com um longo banho quente, uma galinha assada e
uma cama de penas, quando o intendente do rei lhe
disse que o Grande Meistre Pycelle tinha convocado
uma reunião urgente do pequeno conselho. A honra
da presença da Mão era requisitada assim que fosse
conveniente.
- Será conveniente amanhã - exclamou Ned enquanto
desmontava. O intendente fez uma reverência muito
grande.
- Transmitirei aos conselheiros as vossas desculpas,
senhor.
- Não, raios me partam - disse Ned. Não era boa
ideia ofender o conselho ainda antes de começar. -
Irei vê-los. Rogo que me concedam alguns momentos
para vestir algo mais apresentável.
- Sim, senhor - disse o intendente. - Se desejar,
oferecemos os antigos aposentos de Lorde Arryn, na
Torre da Mão. Mandarei que vossas coisas sejam
levadas para lá,
- Agradeço - disse Ned enquanto arrancava as luvas
de montar e as enfiava no cinto. O resto de sua
comitiva vinha entrando pelo portão atrás dele. Ned
viu Vayon Poole, seu próprio intendente, e o
chamou. - Parece que o conselho precisa
urgentemente de mim. Certifique-se de que minhas
filhas encontram seus quartos e diga a Jory para
mantê-las lá. Arya não deve sair - Poole fez uma
reverência. Ned voltou a virar-se para o intendente
real. - Minhas carroças ainda estão vagando pela
cidade. Necessitarei de vestimentas apropriadas.
- Será um grande prazer - o intendente saiu.
E assim Ned entrara em passos largos na sala do
conselho, cansado até os ossos e vestido com roupas
emprestadas, e encontrara quatro membros do
pequeno conselho à sua espera.
O aposento estava ricamente mobiliado. Tapetes
myrianos cobriam o chão em lugar de esteiras e, num
canto, cem animais fabulosos saltavam em tintas
vivas num biombo entalhado vindo das Ilhas do
Verão. As paredes estavam cobertas por tapeçarias
de Norvos, Qohor e Lys, e um par de esfinges
valirianas flanqueava a porta, com olhos de granada
polida ardendo em rostos de mármore negro.
O conselheiro de que Ned menos gostava, o eunuco
Varys, o abordou no momento em que entrou.
- Senhor Stark, fiquei imensamente triste ao saber de
seus problemas na estrada do rei. Temos todos
visitado o septo a fim de acender velas pelo Príncipe
Joffrey. Rezo pela sua recuperação - sua mão
esquerda deixou manchas de pó na manga de Ned, e
exalava um odor tão repugnante e doce como flores
numa sepultura.
- Seus deuses ouviram suas preces - respondeu Ned,
frio, mas delicado. - O príncipe fica mais forte a cada
dia que passa - libertou-se do eunuco e atravessou a
sala até onde Lorde Renly estava, junto ao biombo,
conversando calmamente com um homem baixo que
só podia ser Mindinho. Quando Robert conquistara o
trono, Renly não era mais que um rapaz de oito
anos, mas transformara-se num homem tão parecido
com o irmão que Ned o achava desconcertante.
Sempre que o via, era como se os anos tivessem
desaparecido e estivesse perante Robert, logo depois
de obter a vitória no Tridente.
- Vejo que chegou em segurança, Lorde Stark - disse
Renly.
- E você também - respondeu Ned. - Peço-lhe
perdão, mas por vezes parece a mim a viva imagem
de seu irmão Robert.
- Uma má cópia - disse Renly com um encolher de
ombros.
- Se bem que muito mais bem-vestida - brincou
Mindinho. - Lorde Renly gasta mais em ves